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| Boletim mensal do Coletivo Luta Libertária Ano I - Nº11 - Maio de 2002 | |
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Organização Anarquista e Níveis de Atuação
| Em
varias edições de nosso boletim publicamos textos que faziam
menção à necessidade de organização,
discutimos algumas idéias sobre organização mas nos
vemos forçados a discutir as formas de atuação desta
organização que queremos. Entendemos que uma organização
anarquista deve atuar em vários níveis, articulados por um
programa, dentro de uma estratégia definida de ação.
Entendemos também que um projeto revolucionário libertário
deve reconhecer isso, ou seja, que existem de fato diferentes níveis
de ação a serem coordenados.
Historicamente a questão da diferenciação dos níveis de atuação de uma organização específica remonta aos tempos de Bakunin e da Aliança , que concebia e existência de dois níveis básicos de atuação: um estritamente político e outro social. No nível político estava a Aliança enquanto organização específica anarquista. No nível social, estava a Internacional, que era uma organização dos trabalhadores, ou seja, uma organização social na qual não atuavam apenas anarquistas. Na história existiram diferentes organizações e grupos que também atuaram em níveis diferentes; não cabe aqui querer abarcar todas estas experiências, queremos nos concentrar em analisar esta necessidade que a luta e a complexidade de uma transformação social radical nos coloca. Imaginemos, uma organização que tenha apenas uma atuação no nível da propaganda; outra que faça propaganda e atue socialmente, mas que não se preocupe com o estabelecimento de um projeto de longo prazo, fixando neste projeto objetivos intermediários de curto e médio prazo que levem em conta a questão da defesa e da sustentação econômica da organização; imaginemos por fim uma outra organização, desta vez uma que mistura o nível político com o nível social, algo como uma organização anarco-sindicalista ou anarco-estudantil. Façamos este exercício... No primeiro caso a organização faz propaganda do anarquismo, mas carece de atuação social, isso a deixa distante dos trabalhadores e do povo em geral, ela atua em apenas no nível político-propagandístico. Em nossa opinião uma organização assim corre o risco de cair no isolamento e ficando distante das lutas e de sua realidade mais concreta não conseguirá fazer análises fundamentadas, o que por sua vez gera o problema de formular propostas que não terão apoio. Sua tendência será perder espaços, ficar à reboque dos acontecimentos e não conseguir influenciar de forma mais decisiva qualquer luta que seja. No segundo exemplo a organização possui atuação social e isso a fortalece, mas sua fragilidade residirá no fato de não conseguir responder a outros problemas que não são resolvidos só com propaganda e presença social, uma organização assim poderá estar mais fragilizada diante da repressão, principalmente se não possuir sérios critérios de ingresso. Também será frágil se não der conta de suas necessidades econômicas, pois como poderá sustentar suas atividades de propaganda, jornais, livros, sede, se não capta recursos que permitam tal sustento. O terceiro exemplo também possui sérios problemas, para começar a própria confusão entre nível social e político. Deste problema derivam outros, um é a divisão política das instâncias sociais, já que o nível social tem um corte ideológico anarquista, não poderão participar dele pessoas que não se identifiquem enquanto tal, tais pessoas formarão outros sindicatos, outras associações de bairro concorrentes e assim o movimento social estará dividido na hora da luta. Outra questão diz respeito ao campo de influência do anarquismo neste caso, que estará restrito ao nível social ideológico propriamente anarquista. No que diz respeito ao campo político, os anarquistas novamente estarão expostos diretamente à repressão, já que numa organização assim as questões estratégicas estarão abertas, propiciando à repressão se antecipar aos passos da organização, que será assim desmantelada. Também na formação política surgem problemas, pois para abarcar a maior quantidade possível de membros, uma organização assim não poderá fazer uma discussão formativa muito profunda, isso trará problemas na hora de se fazer uma análise da realidade e de traçar metas e a estratégia para atingi-las. Novamente nossa influência e peso político serão restritos aos que se identificam como anarquistas. Sobre este ultimo caso o anarquismo espanhol é farto em exemplos, a própria criação da FAI em 1927, 17 anos após a criação da CNT (1910), foi conseqüência dos limites da atuação anarco-sindicalista, que não propiciava um espaço para a discussão de outros temas, como autodefesa e a coordenação de ações que não fossem do âmbito sindical. Entendemos que uma organização anarquista deva coordenar vários níveis: político, social, econômico e de defesa, etc. Estes níveis devem estar coordenados estrategicamente e programaticamente, permitindo a esta organização responder à complexidade social, dando conta dos vários campos de atuação nos quais uma organização deve se fazer presente para que atinja o mais alto grau de eficiência em sua ação. Luta
Libertária
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Aqui
Aqui
nossos
nervos são de gelo
quando
tivermos sede
E
não seremos avarentos com nosso sangue
Aqui está nosso futuro Poema do combatente palestino Tawfic Az-Zayad, do livro Poesia Palestina de Combate. |
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Aqui você acha os livros de Makhno e Bakunin editados pelo Coletivo Luta Libertária São
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