Combate Anarquista Nº 11 - Maio de 2002 Voltar

Boletim mensal do Coletivo Luta Libertária                                  Ano I - Nº11 - Maio de 2002
e-mail: lutalibertaria@hotmail.com           caixa postal: 11639, Lapa, São Paulo - SP, cep: 05049-970

Organização Anarquista e Níveis de Atuação


Em varias edições de nosso boletim publicamos textos que faziam menção à necessidade de organização, discutimos algumas idéias sobre organização mas nos vemos forçados a discutir as formas de atuação desta organização que queremos. Entendemos que uma organização anarquista deve atuar em vários níveis, articulados por um programa, dentro de uma estratégia definida de ação. Entendemos também que um projeto revolucionário libertário deve reconhecer isso, ou seja,  que existem de fato diferentes níveis de ação a serem coordenados.
Historicamente a questão da diferenciação dos níveis de atuação de uma organização específica remonta aos tempos de Bakunin e da Aliança , que concebia e existência de dois níveis básicos de atuação: um estritamente político e outro social. No nível político estava a Aliança enquanto organização específica anarquista. No nível social, estava a Internacional, que era uma organização dos trabalhadores, ou seja, uma organização social na qual não atuavam apenas anarquistas.
Na história existiram diferentes organizações e grupos que também atuaram em níveis diferentes; não cabe aqui querer abarcar todas estas experiências, queremos nos concentrar em analisar esta necessidade que a luta e a complexidade de uma transformação social radical nos coloca. 
Imaginemos, uma organização que tenha apenas uma atuação no nível da propaganda; outra que faça propaganda e atue socialmente, mas que não se preocupe com o estabelecimento de um projeto de longo prazo, fixando neste projeto objetivos intermediários de curto e médio prazo que levem em conta a questão da defesa e da sustentação econômica da organização;  imaginemos por fim uma outra organização, desta vez uma que mistura o nível político com o nível social, algo como uma organização anarco-sindicalista ou anarco-estudantil. Façamos este exercício...
No primeiro caso a organização faz propaganda do anarquismo, mas carece de atuação social, isso a deixa distante dos trabalhadores e do povo em geral, ela atua em apenas no nível político-propagandístico. Em nossa opinião uma organização assim corre o risco de cair no isolamento e ficando distante das lutas e de sua realidade mais concreta não conseguirá fazer análises fundamentadas, o que por sua vez gera o problema de formular propostas que não terão apoio. Sua tendência será perder espaços, ficar à reboque dos acontecimentos e não conseguir influenciar de forma mais decisiva qualquer luta que seja.
No segundo exemplo a organização possui atuação social e isso a fortalece, mas sua fragilidade residirá no fato de não conseguir responder a outros problemas que não são resolvidos só com propaganda e presença social, uma organização assim poderá estar mais fragilizada diante da repressão, principalmente se não possuir sérios critérios de ingresso. Também será frágil se não der conta de suas necessidades econômicas, pois como poderá sustentar suas atividades de propaganda, jornais, livros, sede, se não capta recursos que permitam tal sustento.
O terceiro exemplo também possui sérios problemas, para começar a própria confusão entre nível social e político. Deste problema derivam outros, um é a divisão política das instâncias sociais, já que o nível social tem um corte ideológico anarquista, não poderão participar dele pessoas que não se identifiquem enquanto tal, tais pessoas formarão outros sindicatos, outras associações de bairro concorrentes e assim o movimento social estará dividido na hora da luta. Outra questão diz respeito ao campo de influência do anarquismo neste caso, que estará restrito ao nível social ideológico propriamente anarquista.
No que diz respeito ao campo político, os anarquistas novamente estarão expostos diretamente à repressão, já que numa organização assim as questões estratégicas estarão abertas, propiciando à repressão se antecipar aos passos da organização, que será assim desmantelada. Também na formação política surgem problemas, pois para abarcar a maior quantidade possível de membros, uma organização assim não poderá fazer uma discussão formativa muito profunda, isso trará problemas na hora de se fazer uma análise da realidade e de traçar metas e a estratégia para atingi-las. Novamente nossa influência e peso político serão restritos aos que se identificam como anarquistas.
Sobre este ultimo caso o anarquismo espanhol é farto em exemplos, a própria criação da FAI em 1927, 17 anos após a criação da CNT (1910), foi conseqüência dos limites da atuação anarco-sindicalista, que não propiciava um espaço para a discussão de outros temas, como autodefesa e a coordenação de ações que não fossem do âmbito sindical.
Entendemos que uma organização anarquista deva coordenar vários níveis: político, social, econômico e de defesa, etc. Estes níveis devem estar coordenados estrategicamente e programaticamente, permitindo a esta organização responder à complexidade social, dando conta dos vários campos de atuação nos quais uma organização deve se fazer presente para que atinja o mais alto grau de eficiência em sua ação.

Luta Libertária
 



NÃO IREMOS EMBORA

Aqui
sobre vossos peitos
persistimos como uma muralha
em vossa goelas 
como cacos de vidro imperturbáveis
e em vossos olhos
como uma tempestade de fogo

Aqui 
sobre vossos peitos
persistimos como uma muralha
famintos, 
nus, 
provocadores, 
declamando poemas

nossos nervos são de gelo
mas nossos corações 
vomitam fogo

quando tivermos sede
espremeremos as pedras
e comeremos terra
quando estivermos famintos
Mas não iremos embora

E não seremos avarentos com nosso sangue
Aqui 
temos um passado e um presente

Aqui está nosso futuro

Poema do combatente palestino Tawfic Az-Zayad, do livro Poesia Palestina de Combate.


 
 

Aqui você acha os livros de Makhno e Bakunin editados pelo Coletivo Luta Libertária 

São Paulo
Espaço Unibanco de Cinema
Rua Augusta

Amaral Livraria
R. Monte Alegre, 984 Perdizes (dentro da PUC)

Livraria Cultura Livre, o “Sebo do CRUSP”
térreo do Bl. F do CRUSP, na USP

CPV
Rua São Domingos, 224 Bela Vista 

Livro Puro, livraria e sebo
Av. Paulista, 2518, conj. 21 

Adão Livraria
Escola de Sociologia e Política
R. Dr. Cesário Mota Jr., 262 V. Buarque

Sebo 264
R. 7 de Abril, 264, sala B%, térreo
Sebo Corsarium Alfarrabista
espaço do DCE, na USP

Instituto de Cultura e Ação 
Libertária (ICAL)
Praça Américo Jacumino, nº 89 atrás do metrô Vila Madalena

Sebo do Gaúcho
faculdade de Letras da USP

Santos
Livraria Realejo
dentro da UNISANTOS, campus do Campo Grande
 
 

Campinas
Livraria do IFCH
junto ao centro acadêmico de ciências humanas (CACH) na UNICAMP

Livraria Iluminações
em dois endereços: Rua José Paulino, 1474 Centro
ou defronte a Faculdade de Economia na UNICAMP

Rio de Janeiro
CELIP (Centro de Estudos Libertários Ideal Peres) 
Caixa Postal 14576 Rio de Janeiro, RJ CEP: 224120-970

Achiamé Editor
Caixa Postal 50083 Rio de Janeiro, RJ

Porto Alegre
FAG (Federação Anarquista Gaúcha)
na sede da federação
e-mail: fag.poa@terra.com.br

Goiânia
Livraria Verbored
Rua C-249, nº 99, Setor Nova Suíça
e-mail: verbored@zaz.com.br

Salvador
Quilombo Cecília
Rua do Passo, 40 Pelourinho

Direto com o Luta Libertária
Cada livro sai R$10,00. Pacotes com 5 saem a R$30,00.  Deposite no BRADESCO Ag. 1416-8 Conta Poupança 1000233-8 em nome de Alex Depois nos avise por e-mail ou carta e o envio será feito mediatamente.
 


O Luta Libertária é um coletivo editorial anarquista, formado por militantes. Não queremos editar livros e textos como um fim em sí mesmo, nosso objetivo é levantar discussões que contribuam para o avanço de um anarquismo político e combativo, presente nas lutas populares, um anarquismo social. Se te interessa trocar idéias em torno destes pontos, nos colocamos à disposição para a realização de debates palestras sobre os textos que publicamos e nossas concepções e propostas, basta que você entre em contato conosco.