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| Boletim mensal do Coletivo Luta Libertária Ano I - Nº12 - Junho de 2002 | |
| e-mail: lutalibertaria@hotmail.com caixa postal: 11639, Lapa, São Paulo - SP, cep: 05049-970 | |
Pobreza, Crime Organizado, Movimentos Sociais e Repressão
| A
crise de desemprego que assola o país, em razão, principalmente,
da política econômica adotada pelo Governo Federal, a qual
aumenta cada vez mais o abismo existente entre os cada vez mais pobres
e os cada vez mais ricos. Esta instabilidade econômica gera um clima
de insegurança, de falta de perspectivas, não só nas
relações políticas e econômicas, mas, principalmente,
nas relações sociais.
As reações do povo a tal situação, na maioria das vezes tem assumido a forma de criminalidade, de explosões de violência localizadas, ou seja, de forma despolitizada, individual ou em grupos. O crime organizado oferece para boa aparte da juventude a única opção de melhorar de vida. As constantes rebeliões nos presídios, greves da polícia militar, o crescimento do poderio do PCC - Primeiro Comando da Capital, com invasões e resgates de presos nas Delegacias, sob as “barbas” da polícia, criaram uma situação muito constrangedora para as autoridades da área da segurança. A indignação com a violência que cercou a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), seqüestrado e assassinado, e mais recentemente do jornalista Tim Lopes, fizeram com que novas Medidas Provisórias foram discutidas pelo Congresso Nacional a fim de brecar a onda de violência instaurada no país. Os crimes mais comuns no Brasil têm sido o homicídio, o latrocínio e o seqüestro. O domínio do narcotráfico também cresceu muito nos últimos tempos, por exemplo; nos morros cariocas temos zonas de completo domínio dos traficantes, os constantes tiroteios e balas perdidas amedrontam a população e geram um clima de insegurança. A mídia faz o seu alarde em torno da questão da segurança pública, que já não é de hoje, ocupa um lugar de destaque na pauta dos telejornais e dos programas de “jornalismo investigativo”. O alarde da mídia joga um pouco mais de lenha na fogueira do clima de terror e insegurança, não faz uma análise séria das raízes do problema, mas reclama medidas cada vez mais enérgicas de combate ao crime organizado. Entre estas medidas enérgicas estão, a redução da maioridade penal, a criação de departamentos policiais especializados e etc.... Mas será que estas medidas resolvem o problema? Como serão operadas? Quem será o alvo, ou, os alvos deste incremento do aparato repressivo e seus recursos legais? Estas questões adquirem pertinência quando vemos que muitos dos atingidos estão do lado mais fraco da corda, são os pobres, as periferias. Será que os verdadeiros comandantes do crime organizado estão nestes lugares? Nós sabemos que a questão é mais complexa, sabemos que as redes coordenadas do crime organizado têm seus pontos de ligação no próprio Estado e entre a burguesia. Os casos, já levantados, de parlamentares e militares envolvidos com o narcotráfico são só a ponta do iceberg. Mas no roldão do aumento de medidas repressivas não podemos deixar de notar que têm sobrado também para os movimentos sociais. Pobreza:
uma questão de polícia
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(Errico Malatesta - Pensiero e Volontà, 01/04/1894) Em uma ruela da City, ocorre uma tentativa de assalto a uma joalheria; os ladrões, surpreendidos pela polícia, fogem abrindo caminho à bala. Mais tarde, dois dos ladrões, descobertos numa casa de East-End defendem-se uma vez mais à bala, e morrem no tiroteio. No fundo, nada de extraordinário em tudo isso, na sociedade atual, exceto a energia excepcional com que os ladrões se defenderam. Mas esses ladrões eram russos, talvez refugiados russos; e é também possível que tenham freqüentado um clube anarquista nos dias de reunião pública, quando ele está aberto a todos. Sem dúvida, a imprensa capitalista serve-se, uma vez mais, deste caso para atacar os anarquistas. Ao ler os jornais burgueses, dir-se-ia que a anarquia, este sonho de justiça e de amor entre os homens, nada mais é senão roubo e assassinato. Com tais mentiras e calúnias, conseguem, com certeza, afastar de nós, muitos daqueles que estariam conosco se ao menos soubessem o que queremos. ... Os proprietários, os capitalistas, roubaram do povo, pela fraude ou pela violência, a terra e todos os meios de produção, e como conseqüência deste roubo inicial podem subtrair dos trabalhadores, a cada dia, o produto de seu trabalho. Mas esses ladrões afortunados tornaram-se fortes, fizeram leis para legitimar sua situação, e organizaram todo um sistema de repressão para se defender, tanto das reivindicações dos trabalhadores quanto daqueles que querem substituí-los, agindo como eles próprios agiram. E agora o roubo desses senhores chama-se propriedade, comércio, indústria, etc; o nome de ladrões é reservado, todavia, na linguagem usual, àqueles que gostariam de seguir o exemplo dos capitalistas, mas que, tendo chegado muito tarde e em circunstâncias desfavoráveis, só podem fazê-lo revoltando-se contra a lei. Entretanto, a diferença de nomes empregados ordinariamente não basta para apagar a identidade moral e social das duas situações. O capitalista é um ladrão cujo sucesso se deve a seu mérito ou a de seus ascendentes; o ladrão é um aspirante a capitalista que só espera a oportunidade para sê-lo na realidade, para viver, sem trabalhar, do produto de seu roubo, isto é, do trabalho alheio. Inimigos dos capitalistas, não podemos ter simpatia pelo ladrão que visa tornar-se capitalista. Partidários da expropriação feita pelo povo em proveito de todos, não podemos, enquanto anarquistas, ter nada em comum com uma operação que consiste unicamente em fazer passar a riqueza das mãos de um proprietário para as de outro. |
| 1 Ano de Combate Anarquista! Neste mês o coletivo Luta Libertária completa 1 ano editando esta modesto boletim. Do nº 0 em junho de 2001 até o nº 12 este mês foram 13 edições tratando de diversos temas. Neste aniversário do Combate Anarquista queremos registrar nossa gratidão a todos os que nos apóiam, do trabalhador gráfico que faz nascer este boletim até você que lê, discute e, faz chegar até outras pessoas este Combate Anarquista .N |