Combate Anarquista Nº 8 - Fevereiro de 2001 Voltar

Boletim mensal do Coletivo Luta Libertária                                  Ano I - Nº8 - Fevereiro de 2002
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As Jornadas Anarquistas


Já tem um bom tempo que os anarquistas realizam encontros e buscam se coordenar melhor, ao longo destes anos vimos diversas atitudes louváveis e muito esforço por parte de alguns militantes, evidentemente alguns encontros são melhor organizados e consequentemente mais bem sucedidos, enquanto outros redundaram em fracasso, no nosso entender estes encontros têm servido para lançar propostas diversas, com algumas concordamos e com outras não, mas mesmo assim acreditamos que estes eventos devem nos ajudar a escolher que caminho seguir dentro das diveras propostas que surgem.

Paralelamente ao Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, estava acontecendo um encontro de anarquistas, as Jornadas Anarquistas Contra a Globalização Capitalista, chamado pela Federação Anarquista Gaúcha e outras organizações e coletivos, entre os quais esteve o Luta Libertária. As Jornadas tiveram seu início no dia 1 e seu encerramento no dia 5 de fevereiro, foram cinco dias de debates interessantes.

No primeiro dia houve a abertura e a apresentação dos grupos e organizações presentes, bem como a realização de outras adesões. Os presentes, que vinham de várias partes do Brasil e do mundo, falaram do trabalho que realizam em seus locais de origem, mostrando um anarquismo enquanto uma força ativa, ainda que pequena numericamente. No segundo dia houve a Exposição Literária, na qual nós do LL falamos dos temas dos livros que lançamos ( Nestor Makhno. Anarquia e Organização e Mikhail Bakunin. Socialismo e Liberdade), neste dia também falou Fábio López López, autor do livro Poder e Domínio. Uma Visão Anarquista, das falas seguiu-se um debate.

Já no terceiro dia o tema foi O Projeto Libertário Frente as Estruturas de Dominação Mundial, os debatedores foram o Laboratório de Estudos Libertários (RJ), a Federação Anarquista Uruguaia e Alexandre Medeiros (RS), todos levantaram questões que consideraram importantes na elaboração de um projeto anarquista de luta e transformação social diante da atual conjuntura. No dia 4/02 o tema foi Práticas de Resistência à Globalização Capitalista e na mesa estavam a Organização Apoyo Mútuo (Espanha), Organização Socialista Libertária (Argentina) e o Coletivo Libertário Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), neste dia se discutiu muito as lutas que se desenvolvem no mundo e em especial na América Latina, com destaque para o caso da Argentina.

O último dia das Jornadas teve a mesa Brasil: experiências de luta e organização popular, que contou com debatedores do LEL (RJ), FAG (RS) e nós do Luta Libertária, cada um falou de suas respectivas experiências de militância social, de nossa parte falamos da experiência que temos tido militando na Resistência Popular de São Paulo, que não tem sido fácil, mas que julgamos ser uma escolha ecertada.

O saldo das Jornadas Anarquistas foi, em nossa opinião, muito positivo. O evento superou suas expectativas de público, tendo em média de 150 à 200 pessoas por dia, lotando o auditório do Sindiágua. Outro fator positivo foi a presença de grupos e organizações de várias partes do Brasil e do mundo, o que permitiu a troca de experiências em uma escala muito maior do que se esperava, mas uma das coisas mais interessantes foi que não participaram do evento apenas os anarquistas; as Jornadas atraíram diversas pessoas que estavam insatisfeitas com o capitalismo de rosto humano do FSM.

O Coletivo Luta Libertária tem a esperança de que as Jornadas Anarquistas se tornem um importante ponto de encontro e articulação dos anarquistas e um contraponto ao projeto social-democrata do FSM, estimulando assim um avanço do anarquismo enquanto força política organizada e atuante socialmente. Segue abaixo uma lista dos grupos e organizações presentes:

CONVOCANTES:
Federação Anarquista Gaúcha - Federação Anarquista Cabocla - Federação Anarquista Uruguaia - Coletivo Luta Libertária - Laboratório de Estudos Libertários - 

BRASIL:
LibeLuta (SC), Coletivo Domingos Passos (RJ), Construção Libertária Goiana (GO), Espaço Socialista do ABC (SP), Mov. Autogestionário (GO), Reunião de Indiv. do Mov. Anarq. (RS), Assoc.Cultural Quilombo Cecília (BA), Centro de Estudos Arte e Educação Libertária (RS), Proj. Imprensa Anarq. Verbavolant (PE), União Libertária do Maranhão (MA), Mov. Humanista pela Cid. Pop. (RS), Guerreiros por Princípios (RS), CCL (MG), MAP (BA), Alimente (PR), Proj. Aprendendo e Ensinando Cult. Pop. (RS), Núcleo Anti-Capit. (RS), JULI (RS), CELIP (RJ), Resist. Popular (RJ), Resist. Popular (SP), CMI (RJ), OPL (BA), MPA (DF). 

MUNDO: 
SIL (Solidariedade Internacional Libertária); OSL Buenos Aires (AR), Coletivo Libertário Sta Cruz de La Sierra (Bolívia), Utopia Socialista (AR), Grupo Anarq. de Córdoba (AR), Bisagra (UY), Grupo de Estudios y Acción Libert. (UY), KAPA (Chile); Org.Apoyo Mutuo (Espanha), OSL (Suíça), NEFAC (USA e Canada), SAC (Suécia), Alternative Libertaire (França) e CGT (Espanha), IWW (USA), CLAC (Canada). 


Reformismo e Cooperativismo 


Enquanto que os socialistas revolucionários, convencidos de que o proletariado não poderá se libertar no quadro do sistema econômico atual, querem a liquidação social, ...os socialistas pacíficos querem, pelo contrário, preservar todas as bases principais, essenciais, da ordem econômica existente. E eles afirmam que mesmo nestas condições e nesta ordem social, necessárias tanto umas como a outra ao sucesso da civilização burguesa, os operários podem se libertar e melhorar substancialmente a sua situação material, unicamente graças ao poder miraculoso das associações livres.

Consequentemente, eles propõem aos operários a formação de sociedades de socorro mútuo, de bancos de trabalho, de associações cooperativas de produção e de consumo, que consideram como os únicos meios de salvação. Ao mesmo tempo eles imploram aos operários para não acreditarem nos revolucionários utopistas que, na verdade, lhes prometem uma igualdade impossível, e que, conscientemente ou não, os arrastam para a ruína e a perdição definitivas.

Vinte anos de experiências na Inglaterra, na França, na Alemanha,... provaram enfim que o sistema cooperativo... não pode libertar os operários, nem sequer melhorar sensivelmente a sua situação, nas condições sociais atuais. A famosa associação dos operários de Rochdale, na Inglaterra, que fez tanto barulho e suscitou tanta emulação e ensaios em outros países, acabou por criar uma nova burguesia coletiva que não se importa em explorar a massa dos operários que não pertencem à cooperativa. (Maximoff. 387, 70).

Os próprios economistas provaram que as cooperativas só são possíveis nos ramos de indústrias que ainda não estão explorados pelo grande capital, pois nenhuma associação operária pode competir com esta última na produção dos bens de consumo em grande escala. E como o grande capital, em virtude de uma necessidade que lhe é inerente, procura controlar todos os ramos da indústria, o destino das cooperativas de produção será o mesmo que o da pequena e média burguesia: miséria geral inevitável, submissão ao capital da oligarquia burguesa e absorção de toda espécie de pequenas e médias empresas pelas grandes empresas de algumas centenas de pessoas de fortuna na Europa. (Maximoff, 387, 70).

Mikhail Bakunin
Socialismo e Liberdade

Este e outros textos de Bakunin estão no segundo lançamento de nosso coletivo, o livro Mikhail Bakunin. Socialismo e Liberdade, que é uma seleção temática de textos de Bakunin, cujos temas vão da concepção de liberdade ao às experiências de organização e luta na Internacional, passando evidentemente pela polêmica com Marx e temas como o materialismo e o idealismo, moral e violência. Os interessados devem entrar em contato conosco, fazekos um preço especial para quem adquirir pacotes do livro.


O Luta Libertária é um coletivo editorial anarquista, formado por militantes. Não queremos editar livros e textos como um fim em sí mesmo, nosso objetivo é levantar discussões que contribuam para o avanço de um anarquismo político e combativo, presente nas lutas populares, um anarquismo social. Se te interessa trocar idéias em torno destes pontos, nos colocamos à disposição para a realização de debates palestras sobre os textos que publicamos e nossas concepções e propostas, basta que você entre em contato conosco.