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O Projeto Editorial do Luta Libertária

O trabalho editorial para nós nunca foi um fim em si
mesmo, nem o trabalho principal. Afinal de contas o
que muda as coisas é a prática e não as idéias. Isso
não quer dizer que renunciamos a qualquer trabalho
no campo das idéias, pelo contrário. Sentimos que 
existem uma grande carência de formação política e
até mesmo de simples informação nos meios 
militantes, um reflexo da própria situação 
educacional do Brasil e de uma desvalorização da 
formação política na esquerda de uma maneira geral.
Obviamente sustentar a edição de livros implica em
custos enquanto vivermos neste mundo capitalista.
Mas a nossa intenção sempre foi a divulgação e 
nunca um objetivo comercial. Os livros são 
produzidos por pessoas do próprio Luta Libertária 
e por apoiadores que nos ajudam em várias coisas. 
O processo começa na escolha do tema ou autor, 
segue com a pesquisa e seleção de textos e as 
traduções necessárias, continua com a leitura e 
discussão coletiva. Desta discussão coletiva acaba
saindo o texto do Luta Libertária que também 
compõe o livro. Com os textos escolhidos segue-se
a digitação, uma primeira revisão, a editoração, uma
revisão final e finalmente o livro chega à gráfica. Em
todo este caminho muita gente participa direta e 
indiretamente, gente que dedica seu tempo e 
energia para pesquisar, traduzir, escrever, digitar, 
revisar, diagramar, etc. Se você tem algum 
interesse neste projeto e possui alguma habilitação
pode nos ajudar se quiser. Gente que traduz, digita,
editora, revisa, etc., é muito bem vinda, não apenas
para ajudar de forma prática em algum ponto, mas 
para discutir conosco o projeto editorial e político
do Luta Libertária.
A única parte do processo que temos que pagar é a
gráfica, aí não tem como fugir, pelo menos por 
enquanto... além disso o projeto não visa lucro mas
apenas a auto-sustentação. É deste jeito o custo do
nosso livro consegue ser barateado em relação a 
edições comerciais do mesmo porte e qualidade 
gráfica. Mas a coisa não acaba por aí, é preciso 
distribuir e vender para que continuemos editando 
livros, e aí é um outro trabalho, sempre limitado 
pelo monopólio comercial de distribuidoras e 
grandes redes de livraria.
Os temas que temos publicado são referentes ao
anarquismo, que sempre foi algo desconhecido e
deturpado. E quando se tornou conhecido elegeram
certos aspectos e omitiram outros. O que nós 
temos publicado são textos quase totalmente
desconhecidos, sendo a maioria deles sem tradução
no Brasil.
São textos que julgamos interessantes, que em 
muitos aspectos refletem nossas posições e são 
referências para o Luta Libertária. Mas não 
publicamos somente aqueles textos com os quais 
concordamos. Temos críticas a vários aspectos 
dos textos publicados e manifestamos isso 
claramente nos livros. O critério fundamental para 
seleção é o de publicar textos importantes para a 
discussão, tenhamos acordo total, parcial ou 
desacordo com eles.
Certamente quem não conhece muito o anarquismo
ou faz dele uma imagem muito “puritana” vai se
surpreender muito com alguns textos dos nossos
livros. Abaixo segue uma breve descrição de cada
um deles.
 

Anarquia e Organização, Nestor Makho

Esta foi a nossa edição de estréia. O livro é 
composto nesta ordem: começa por um artigo 
escrito pelo Luta Libertária que contextualiza a
Ucrânia na Revolução Russa; um texto de Piotr 
Archinov, que lutou no movimento makhnovista, 
sobre as relações entre anarquismo e 
makhnovitchina, onde ele tece uma crítica sobre a 
apatia da maioria dos anarquistas na revolução. 
Chegamos então a textos de Makhno, já na época 
do exílio na França, que tratam de organização e 
disciplina revolucionária. Entramos então no
principal texto do livro, o famoso e ao mesmo 
tempo desconhecido Plataforma de Organização. 
Os textos seguintes fazem parte do debate que se
iniciou com a publicação da Plataforma, entre eles 
estão o próprio Makhno, Malatesta e Archinov. 
Finalizando o livro nosso coletivo escreveu um 
texto de balanço, refletindo sobre o movimento 
makhnovista e a Plataforma de Organização vistos
numa perspectiva atual. O livro tem 96 páginas, 
formato 14x21cm, capa colorida, plastificada e 
com orelhas. Selecionamos alguns trechos do livro 
para dar uma impressão:

“Há dezenas de anos que os anarquistas russos são
atacados por esta terrível doença: desorganização.”
Piotr Archinov

“(...) o anarquismo não pode continuar aprisionado
nos limites de um pensamento marginal e 
reivindicado unicamente por uns poucos grupelhos, 
em suas ações isoladas. Sua influência natural sobre
a mentalidade dos grupos humanos em luta é mais 
do que evidente. Para que esta influência seja 
assimilada de modo consciente, ele deve doravante
se munir de novos meios e iniciar desde já o 
caminho das práticas sociais.” 
Nestor Makhno

“A responsabilidade e a disciplina organizacionais 
não devem horrorizar: elas são companheiras de 
viagem da prática do anarquismo social.” 
Nestor Makhno

“Nós prevemos que vários representantes de um
estilo próprio individualista de anarquismo caótico
irão nos atacar, espumando pela boca, e nos acusar
de quebrar princípios anarquistas. Contudo, 
sabemos que os elementos individualistas e 
caóticos entendem pelo título ‘princípios 
anarquistas’; indiferença política, negligência e total
falta de responsabilidade (...)” 
Nestor Makhno

“(...) não posso aceitar o pensamento de que os 
anarquistas revolucionários rechaçam a necessidade
de um tal estado-maior para orientar 
estrategicamente a luta armada revolucionária. 
Estou convencido de que todo anarquista 
revolucionário que se encontrar em condições 
idênticas às que conheci durante a guerra civil na 
Ucrânia será obrigado a agir como nós agimos. Se, 
no decorrer da próxima revolução social autêntica, 
houver anarquistas que neguem esses princípios 
organizacionais, eles serão no interior de nosso 
movimento meros tagarelas ou, ainda, elementos 
frenadores e nocivos, que não tardarão a ser 
rejeitados.” 
Nestor Makhno

“Para nós é uma honra publicar estes textos. E há 
uma demanda reprimida por eles, há uma vontade 
de conhecer o outro lado do anarquismo. Há uma 
geração insatisfeita dentro do próprio meio 
libertário. Pessoas que fazem uma idéia 
completamente equivocada sobre o que é 
anarquismo. Uma juventude que olha o que existe 
por aí e não enxerga alternativa alguma de luta, que
está muitas vezes de saco cheio de conversa fiada 
e a fim de por a mão na massa.” 
Luta Libertária

Socialismo e Liberdade, Mikhail Bakunin

Contém textos do anarquista russo Mikhail Bakunin 
sobre liberdade, autoridade, materialismo, a Aliança
da Democracia Socialista (organização 
revolucionária anarquista de Bakunin), organização, 
tática, 1ª Internacional (AIT, Associação 
Internacional dos Trabalhadores) polêmicas com 
Marx, reformismo e violência. Boa parte dos textos 
são inéditos no Brasil e certamente vão surpreender
muita gente. Além dos textos de Bakunin nosso 
coletivo escreveu uma pequena biografia do 
anarquista russo no início do livro e finalizamos 
com um texto de discussão sobre o que 
consideramos vigente e ultrapassado ou 
equivocado no pensamento de Bakunin. O livro tem 
112 páginas, formato 15x21cm, capa 4 cores, 
plastificada e com orelhas. Abaixo escolhemos 
algumas citações do livro, todas elas de Bakunin:
“Existirá uma perfeita solidariedade entre todos os
membros aliados, de tal maneira que os acordos 
decididos pela maioria dos aliados serão 
obrigatórios para todos os demais, sacrificando-se 
sempre em benefício da unidade de ação, as 
apreciações particulares que puderem existir entre
os membros.” 
Ponto 8 do Estatuto da Aliança da Democracia 
Socialista
“Me encantam esses socialistas burgueses que 
sempre nos gritam: ‘primeiro eduquemos o povo e
depois o emancipemos’. Nós ao contrário, dizemos:
“primeiro que se emancipe o povo e depois ele se 
educará...”. Os deixais soterrados pelo trabalho e 
pela miséria e encima disso dizeis: Eduque-os!
Não senhores! Apesar de todo o nosso respeito 
para com o grande problema da instrução integral, 
declaramos que não é este, hoje o maior problema 
do povo. O primeiro problema é o da emancipação 
econômica, que necessariamente engendra a por 
sua vez a emancipação política e a seguir a 
emancipação intelectual e moral. Por outro lado, só
um caminho resta: e este é o da emancipação pela 
prática.”
“Se por acaso a simples palavra ateísmo houvesse
sido incluída no estandarte da Internacional haveria
podida a Associação reunir em seu seio sequer 
duas centenas de aderentes? Todo mundo sabe que
não. E não porque o povo seja realmente religioso, 
e sim porque acredita sê-lo, e haverá de seguir 
acreditando enquanto uma boa revolução social 
não lhe proporcione meios para acabar com estas
aspirações ilusórias.”
“(...) não há nenhuma dúvida que, na crítica 
impiedosa que [Marx] fez a Proudhon, há muito de 
verdade... Este parte da idéia abstrata do direito; 
do direito passa ao fato econômico, enquanto que 
o Sr. Marx, contrariamente a Proudhon, exprimiu e 
demonstrou a verdade indubitável, confirmada pela
história passada e contemporânea da sociedade 
humana, dos povos e dos Estados, que o fator 
econômico precedeu e precede sempre o direito 
jurídico e político.”
“(...) [Marx] dedicou-se sempre, com sinceridade, à
causa da emancipação do proletariado, causa a que
ele prestou serviços incontestáveis e à qual nunca 
traiu conscientemente, mas que a compromete hoje
com a sua formidável vaidade, com o seu caráter 
odioso e malévolo e com a tendência à ditadura, 
mesmo no seio do partido dos revolucionários 
socialistas. Efetivamente, a sua vaidade não tem 
limites; é uma pena, um luxo inútil, pois a vaidade 
compreende-se num ser nulo que, não sendo nada, 
quer parecer tudo. Marx tem qualidades e uma 
capacidade de pensamento e de ação muito 
grandes, muito positivas, e que lhe poderiam ter 
pousado, parece-me, à pena de ter recorrido aos 
meios miseráveis da vaidade!”
“(...) Há um indício infalível pelo qual os operário 
podem reconhecer um falso socialista, um 
socialista burguês. Se, ao falar-lhe de revolução, ou
melhor, de transformação social, lhes disser que a
transformação política deve preceder a 
transformação econômica; se ele negar que elas 
devem ser simultâneas, ou mesmo que a revolução
política não é mais do que a aplicação direta e 
imediata da completa e total da transformação 
social, virem-lhe as costas, pois ou é um idiota, ou 
é um explorador hipócrita.” 

Como adquirir?
1) escolha o livro e quantidade desejada
2) veja o custo
3) deposite o dinheiro correspondente no 

>
BRADESCO:
Agência 1416-8 
Conta Poupança 1000233-8 em nome de Alex
4) nos avise por e-mail (ou correio) o dia, hora e 
valor do depósito, assim como o seu endereço para
envio.
5) recebida a mensagem enviamos os livros 
imediatamente

Custo
Anarquia e Organização, Nestor Makho = R$10,00 
a unidade
Socialismo e Liberdade, Mikhail Bakunin = R$ 10,00
a unidade

Pacotes para distribuidores de no mínimo 5 
exemplares saem a R$30,00. 
Para 10 livros R$60,00 e assim por diante.
O custo já inclui as despesas de correio. 
O tempo de chegada é o mesmo de uma carta 
comum, exceto para pacotes, que vão encomenda e
por isso o tempo de entrega é de cerca de 7 dias. 
Demora um pouco mas sai bem mais barato do que 
sedex. Quem desejar receber com urgência por 
sedex pode nos avisar, mas neste caso arca com o 
custo excedente.

Novos Lançamentos!

Estão previstos para este ano, nesta ordem:

“Malatesta e Luigi Fabbri, 
o anarco-comunimo italiano” 

“Os Anarquistas Expropriadores” de Osvaldo 
Bayer"

Aguardem...